






Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo da Madeira

APPDA-Madeira
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O que é a Perturbação do Espetro do Autismo, PEA?
A Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por défices persistentes na comunicação social e na interação social, associados à presença de padrões restritos, repetitivos e inflexíveis de comportamento, interesses ou atividades. A expressão clínica é heterogénea, variando significativamente entre indivíduos e ao longo do ciclo de vida.
Segundo a American Psychiatric Association, no DSM-5-TR, as manifestações clínicas da PEA surgem precocemente no desenvolvimento, embora possam tornar-se mais evidentes apenas quando as exigências sociais excedem as capacidades adaptativas do indivíduo.
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Atualmente, não existe um marcador biológico específico para o diagnóstico da PEA. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na observação comportamental, na história do desenvolvimento e na avaliação funcional do indivíduo, de acordo com critérios internacionalmente estabelecidos no DSM-5-TR e no ICD-11.
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Até às classificações anteriores ao DSM-5, o diagnóstico baseava-se em três domínios principais:
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perturbações da comunicação;
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perturbações da interação social recíproca;
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padrões restritos e repetitivos de comportamento.
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Com a publicação do DSM-5, os critérios diagnósticos passaram a organizar-se em dois domínios centrais:
A — Défices persistentes na comunicação social e na interação social
Incluem dificuldades na reciprocidade socioemocional, na comunicação verbal e não verbal e no desenvolvimento, manutenção e compreensão das relações interpessoais. Estes défices podem manifestar-se com diferentes níveis de gravidade.
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B — Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Incluem movimentos motores estereotipados, insistência em rotinas, interesses altamente restritos e alterações do processamento sensorial, como hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais.
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Os sintomas devem estar presentes desde o período precoce do desenvolvimento e causar impacto clinicamente significativo no funcionamento social, académico, ocupacional ou noutras áreas importantes da vida diária.
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O DSM-5 passou ainda a integrar num único diagnóstico os quadros anteriormente designados como perturbação autística, síndrome de Asperger e perturbação global do desenvolvimento sem outra especificação, atualmente abrangidos pela designação Perturbação do Espetro do Autismo.
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A avaliação diagnóstica deve igualmente considerar especificadores clínicos relevantes, incluindo:
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presença ou ausência de deficiência intelectual;
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alterações da linguagem;
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condições médicas ou genéticas associadas;
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perturbações do neurodesenvolvimento, mentais ou comportamentais coexistentes;
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nível de suporte necessário.
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A apresentação clínica da PEA é altamente variável. Muitos indivíduos podem apresentar comorbilidades associadas, como perturação de défice de atenção/hiperatividade (TDAH), ansiedade, epilepsia, perturbações do sono ou dificuldades sensoriais, fatores que influenciam significativamente a funcionalidade e adaptação.
O diagnóstico precoce e a implementação de intervenções individualizadas, multidisciplinares e baseadas na evidência científica são fundamentais para promover o desenvolvimento, a participação social, a autonomia funcional e a qualidade de vida da pessoa com PEA.